As Intermitências da Morte, de José Saramago

José saramago “Você já pensou se ninguém mais morresse?”

“No dia seguinte, ninguém morreu.” É com essa frase que José Saramago inicia o seu ensaio cujo tema central e fiador das histórias particulares é a morte. Em um lugar hipotético, num tempo hipotético, mas que remete muitas vezes à nossa época, Saramago tem uma ideia de escrever uma história que dialogasse com um dos principais temas, aflições e mistérios que rodeiam o homem, contudo, de uma maneira diferente: “O que aconteceria se as pessoas não mais morressem?”. Com perguntas imaginárias iguais a essa, é possível chegar ao cerne da discussão e das abordagens filosóficas que o autor propõe para pensar a importância da morte em relação à vida e também quais seriam as consequências de uma possível “vida eterna terrena”. Dessa forma, com uma temática tão própria e construtiva, Saramago convida o leitor a se inteirar em reflexões políticas e sociais importantes concernentes à finitude, o que, por sua vez, faz com que imaginemos as configurações de diversas instituições sociais modificadas em que uma situação caótica é estabelecida simplesmente pela ausência da morte na vida dos homens. Já foi mencionado, o livro começa com a categórica afirmação de que ninguém mais morreria naquele país, ou seja, segundo a história, a partir do primeiro dia do ano novo, ninguém mais, seja novo ou velho, morreu naquele lugar. Continuar lendo

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