A Vagabunda, de Gabrielle Colette

Gabrielle Colette1Falar desse grande livro não é uma coisa fácil. Em primeiro lugar, não é uma obra de rápida absorção, pois as ideias e sentimentos são transpassados pela narrativa de uma forma contínua e ininterrupta, isto é, não se trata de um livro que se possa ler num ritmo frenético, uma vez que apresenta uma construção muito complexa tanto da história, quanto da protagonista, Renée Neré; em segundo lugar, porque já existe uma espécie de resenha muito mais crítica feita pela Simone de Beauvoir que, para mim, seria impossível tratar aqui de forma tão densa e tão bem feita como realizada por ela. A Simone no livro ‘O Segundo Sexo’ discorre sobre vários temas que envolvem a percepção da sociedade para a mulher e da mulher sobre a própria mulher, dessa forma, tentar fazer algo tão bom quanto a Beauvoir é quase impossível. Para quem tiver curiosidade, no volume 2, existem muitas citações da Gabrielle Colette (escritora do livro ‘A Vagabunda’) e também de outros livros que contribuíram para que a Simone de Beauvoir desenvolvesse as suas ideias feministas e o pensamento revolucionário da época. Existe uma proximidade muito grande entre as duas autoras citadas acima em sua época, pois ambas mantinham relacionamentos com mulheres (nada de prisões sociais sobre a sexualidade delas), e Gabrielle Colette ainda foi casada três vezes e dançava durante a vida boêmia de Paris e outras cidades francesas, incluindo apresentações no famoso ‘Moulin Rouge’. Quero dizer que elas chocaram a sociedade de sua época porque marcaram sua independência como mulheres e também lutavam pela libertação sexual que era muito fechada no senso comum ou numa tradição muito religiosa daquele tempo (e que continua até hoje): de que a mulher deveria se comportar de acordo com a moral e os bons costumes, não cobiçar outros homens, manter um bom casamento com um bom homem, se reservar em casa, enfim, todas essas babaquices machistas que apenas servem para rir e também para ver o quão atrasados ainda estamos ao referirmo-nos às identidades e aos gêneros. Mas agora, vamos ao livro… Continuar lendo

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