A Culpa é das Estrelas, de John Green

john green“O beijo durou uma eternidade enquanto o Sr. Frank falava atrás de mim… Eu me dei conta que meus olhos estavam fechados e os abri. O Augustus me encarava, seus olhos azuis mais próximos que nunca, e atrás dele um grupo de pessoas tinha meio que se organizado em três camadas de círculos à nossa volta.”

“A Culpa é das Estrelas” é um livro que está fazendo muito sucesso, além de ser, muito bem avaliado pela crítica e ser um dos mais vendidos no país, segundo a PublishNews. A fórmula utilizada pelo escritor, John Green, parece óbvia, já que parte de um romance adolescente, mas se engana quem olha pelo título e já espera um romance açucarado.

A história se desenvolve mostrando que os protagonistas Hazel Grace e Augustus Waters, com dezesseis e dezessete anos, respectivamente, mesmo jovens, já tem que enfrentar desafios de vida ou morte, literalmente.

Vamos à história de fato.

Hazel Grace, que é a narradora e protagonista, descreve já nas primeiras páginas como é difícil à vida de uma jovem diagnosticada com câncer de tireoide. Não bastasse a preocupação excessiva dos pais diante de uma iminente e indesejada morte, a jovem tenta adequar sua vida social e estudos às passagens inesperadas na UTI, quando alguma coisa em seu corpo deixava de funcionar corretamente, reflexo, óbvio, da doença.

Sua vida, no entanto, muda quando a jovem conhece Augustus Waters. Detalhe: eles se conhecem em um grupo de jovens que tem ou já tiveram algum tipo de câncer. No caso dele, o câncer de osso, o fez perder uma das pernas.

A partir daí, ambos, cada qual enfrentando seus próprios desafios e lutando contra seus próprios “monstros” começam uma divertida, embora, muitas vezes, triste história de amor.

Há uma sensibilidade quase mágica de Green para captar a verdadeira essência do amor. Não aquele que prega que duas pessoas só serão felizes juntas se forem perfeitas uma para a outra, mas, aquele amor que chega aos poucos e acontece, mesmo a situação sendo improvável, já que ambos passavam por tratamentos contra cânceres terminais.

Além do romance, há também literatura. Na história, Hazel Grace é apaixonada por Peter Van Houten, escritor da obra Uma aflição imperial. E é justamente esse romance que une o casal Hazel e Gus, já que ambos passam a compartilhar esse livro e a buscarem compreender o final inesperado que Houten dá a seus personagens, deixando em aberto o fim para múltiplas interpretações.

Para não revelar muito da história, porque eu espero que minhas impressões sobre o livro de Green os motive a, de fato, lê-lo, inteirinho, vale à pena comentar sobre o título.

Segundo o próprio autor “A Culpa é das Estrelas” foi baseado na ideia contida no texto original de Shakespeare, onde o nobre romano Cássio diz a Bruto: “A culpa, meu caro Bruto, não é de nossas estrelas / Mas de nós mesmos, que consentimos em ser inferiores.” No caso, Green quer associar estrelas a destino, ou seja, muitas vezes, e em muitas situações da vida, não somos responsáveis pelas coisas que acontecem conosco, como, por exemplo, dois jovens apaixonados estarem tão doentes e tão condenados a morrerem cedo, a deixarem um ao outro.

O final é um pouco inesperado e o autor realmente acerta dando, no início, a impressão de um desfecho que é quebrado e invertido nos últimos capítulos.

Por fim, vale dizer que Green escreve de uma forma tão suave e leve que as páginas vão se multiplicando sem que se perceba. É, com certeza, um dos livros para terem na coleção dos “lidos”.

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