Gabriel García Márquez – biografia

Gabriel García Márquez“A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la”

Gabriel García Márquez foi um escritor, jornalista, editor, ativista e político colombiano, nascido em Aracataca, em 6 de março de 1927. Considerado um dos autores mais importantes do século XX, foi um dos escritores mais admirados e traduzidos no mundo, com mais de 40 milhões de livros vendidos em 36 idiomas.

Foi laureado com o Prêmio Internacional Neustadt de Literatura, em 1972, e o Nobel de Literatura, de 1982, pelo conjunto de sua obra, que entre outros livros inclui o aclamado Cem Anos de Solidão.

Foi responsável também por criar o realismo mágico na literatura latino-americana, embora, ele mesmo não gostasse dessa denominação. Viajou muito pela Europa e viveu até a morte no México. Era pai do cineasta Rodrigo García.

Entre suas obras mais aclamadas estão o já citado como Cem Anos de Solidão e O Amor nos Tempos do Cólera, além de seu primeiro livro publicado, em 1955, A Revoada – O Enterro do Diabo. Gabo, como é chamado por amigos e fãs, diz que começou a escrever depois de um desafio lançado em um artigo de jornal em 1947.

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A Culpa é das Estrelas, de John Green

john green“O beijo durou uma eternidade enquanto o Sr. Frank falava atrás de mim… Eu me dei conta que meus olhos estavam fechados e os abri. O Augustus me encarava, seus olhos azuis mais próximos que nunca, e atrás dele um grupo de pessoas tinha meio que se organizado em três camadas de círculos à nossa volta.”

“A Culpa é das Estrelas” é um livro que está fazendo muito sucesso, além de ser, muito bem avaliado pela crítica e ser um dos mais vendidos no país, segundo a PublishNews. A fórmula utilizada pelo escritor, John Green, parece óbvia, já que parte de um romance adolescente, mas se engana quem olha pelo título e já espera um romance açucarado.

A história se desenvolve mostrando que os protagonistas Hazel Grace e Augustus Waters, com dezesseis e dezessete anos, respectivamente, mesmo jovens, já tem que enfrentar desafios de vida ou morte, literalmente.

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A Vagabunda, de Gabrielle Colette

Gabrielle Colette1Falar desse grande livro não é uma coisa fácil. Em primeiro lugar, não é uma obra de rápida absorção, pois as ideias e sentimentos são transpassados pela narrativa de uma forma contínua e ininterrupta, isto é, não se trata de um livro que se possa ler num ritmo frenético, uma vez que apresenta uma construção muito complexa tanto da história, quanto da protagonista, Renée Neré; em segundo lugar, porque já existe uma espécie de resenha muito mais crítica feita pela Simone de Beauvoir que, para mim, seria impossível tratar aqui de forma tão densa e tão bem feita como realizada por ela. A Simone no livro ‘O Segundo Sexo’ discorre sobre vários temas que envolvem a percepção da sociedade para a mulher e da mulher sobre a própria mulher, dessa forma, tentar fazer algo tão bom quanto a Beauvoir é quase impossível. Para quem tiver curiosidade, no volume 2, existem muitas citações da Gabrielle Colette (escritora do livro ‘A Vagabunda’) e também de outros livros que contribuíram para que a Simone de Beauvoir desenvolvesse as suas ideias feministas e o pensamento revolucionário da época. Existe uma proximidade muito grande entre as duas autoras citadas acima em sua época, pois ambas mantinham relacionamentos com mulheres (nada de prisões sociais sobre a sexualidade delas), e Gabrielle Colette ainda foi casada três vezes e dançava durante a vida boêmia de Paris e outras cidades francesas, incluindo apresentações no famoso ‘Moulin Rouge’. Quero dizer que elas chocaram a sociedade de sua época porque marcaram sua independência como mulheres e também lutavam pela libertação sexual que era muito fechada no senso comum ou numa tradição muito religiosa daquele tempo (e que continua até hoje): de que a mulher deveria se comportar de acordo com a moral e os bons costumes, não cobiçar outros homens, manter um bom casamento com um bom homem, se reservar em casa, enfim, todas essas babaquices machistas que apenas servem para rir e também para ver o quão atrasados ainda estamos ao referirmo-nos às identidades e aos gêneros. Mas agora, vamos ao livro… Continuar lendo

As Intermitências da Morte, de José Saramago

José saramago “Você já pensou se ninguém mais morresse?”

“No dia seguinte, ninguém morreu.” É com essa frase que José Saramago inicia o seu ensaio cujo tema central e fiador das histórias particulares é a morte. Em um lugar hipotético, num tempo hipotético, mas que remete muitas vezes à nossa época, Saramago tem uma ideia de escrever uma história que dialogasse com um dos principais temas, aflições e mistérios que rodeiam o homem, contudo, de uma maneira diferente: “O que aconteceria se as pessoas não mais morressem?”. Com perguntas imaginárias iguais a essa, é possível chegar ao cerne da discussão e das abordagens filosóficas que o autor propõe para pensar a importância da morte em relação à vida e também quais seriam as consequências de uma possível “vida eterna terrena”. Dessa forma, com uma temática tão própria e construtiva, Saramago convida o leitor a se inteirar em reflexões políticas e sociais importantes concernentes à finitude, o que, por sua vez, faz com que imaginemos as configurações de diversas instituições sociais modificadas em que uma situação caótica é estabelecida simplesmente pela ausência da morte na vida dos homens. Já foi mencionado, o livro começa com a categórica afirmação de que ninguém mais morreria naquele país, ou seja, segundo a história, a partir do primeiro dia do ano novo, ninguém mais, seja novo ou velho, morreu naquele lugar. Continuar lendo

Orlando, de Virginia Woolf

Virginia-Woolf-Twitteratu-001Este é um livro impressionante pelo tempo em que a história se passa e pelas características e desenvolvimento do personagem principal. O tempo inicia-se no Período Elisabetano com Orlando aos seus 16 anos, depois transcorre 350 anos passando por várias épocas seguintes; já o personagem, ‘Ele – pois não havia dúvida quanto ao seu sexo, embora a moda da época fizesse algo para disfarça-lo […]’, Orlando, é um aristocrata elegante e bonito para a sua época, descendente de uma família muito nobre e com muitos privilégios e riqueza. Entretanto, os pais de Orlando morrem e ele acaba habitando o entorno de Elizabeth I que tem um grande fascínio pelo jovem, pelos seus modos e pela sua beleza; por outro lado, chega um momento que Orlando se cansa, ‘não apenas do desconforto desse tipo de vida e das tortuosas ruas dos arredores, mas também das maneiras primitivas do povo. Pois é preciso lembrar que o crime e a pobreza não tinham para os elisabetanos a mesma atração que têm para nós. Eles não possuíam a vergonha moderna de ter aprendido nos livros.’ Continuar lendo

Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley

Só pelo título do livroaldous-huxley-resized, é possível perceber uma ironia do autor que está presente em todos os capítulos, o que deixa uma característica marcante na obra com uma ironia que não é trivial, uma vez que é pensada em plenas “imaginações” humanas após a maior guerra já presenciada pela humanidade até aquele momento. É em 1932 que Aldous Huxley publica uma de suas maiores obras, apesar de a crítica literária não a reconhecer como a melhor, a distopia, Admirável Mundo Novo. É um livro escrito após a Primeira Guerra Mundial e que foi revisado pelo próprio autor em 1946 com algumas considerações iniciais, rendendo a origem de um prefácio que contribuísse para introduzir a leitura e que servisse como fio condutor do enredo.
A história do livro passa-se em 634 d. F. (depois de Ford) numa sociedade completamente permeada pelos avanços científicos que chegam a fazer parte de toda a vida dos homens. Além disso, uma sociedade arraigada num regime social rígido e fixo que não permite qualquer manifestação de individualidade ou de liberdade artística; muitos livros são proibidos, existe uma censura muito grande no comportamento das pessoas daquela sociedade que, por sua vez, é dividida por esferas sociais completamente impermeáveis em que cada um desempenha determinada função de acordo com o “nascimento”. Só abrindo um parêntesis: Continuar lendo